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O adolescente como intérprete do desejo do adulto: inversões e proposições acerca da adolescência e passividade


Apesar da adolescência não ser um conceito psicanalítico propriamente dito, isso não impediu que ela fosse alvo de pesquisas e investigações. Dentre as diversas contribuições no campo da Psicanálise, destacamos o potencial frutífero da teoria da sedução generalizada de Jean Laplanche. Ao elaborar a relação complexa entre instinto e pulsão – questão central na teoria e na clínica de adolescentes – Laplanche possibilitou a articulação entre a teoria da sedução e os processos psíquicos próprios à adolescência. A partir disso e tendo essas contribuições como fio condutor, este artigo tem por objetivo discutir a tese de Calligaris sobre a adolescência como “realização do desejo inconsciente do adulto”. Ao apontar a passividade fundamental na constituição psíquica, a teoria da sedução generalizada nos possibilita pensar e refletir sobre os efeitos e características da alteridade também na adolescência.

Palavras Chave: Adolescência; Teoria da Sedução Generalizada; Passividade.
Breve diálogo entre Laplanche e Ferenczi:
Efeitos do encontro da Linguagem da ternura e da linguagem da paixão


Freud constrói sua teoria da sedução como origem dos sintomas neuróticos. Nessa perspectiva, localiza na infância mais tenra uma "cena de sedução" que se desmembrará em dois momentos distintos: o momento da cena em si, onde não há ainda qualquer excitação sexual para a criança, e um momento posterior, próximo a puberdade, onde a cena original é carregada de excitação sexual que exige do Eu o recalque da lembrança. A teoria da sedução freudiana será abandonada, mas é o ponto de partida para a construção da teoria da sedução generalizada de Laplanche. Essa teoria se apóia na realidade factual das mensagens enigmáticas emanadas por um adulto clivado em seu inconsciente. A partir dos cuidados básicos e essenciais do adulto com o bebê, são implantados conteúdos que serão - apenas "a posteriori" - parcialmente traduzidos. Segundo nos alerta Sándor Ferenczi, a divergência entre a linguagem da ternura, própria a criança, e a linguagem da paixão do adulto, provoca desencontros entre o conteúdo implantado e as traduções possíveis à criança: a confusão de línguas traz dificuldades e limites à tradução. Muito além dos conteúdos decifráveis, a criança se depara com um resto que exigirá novas traduções e simbolizações incessantemente.

Palavras Chave: Psicanálise; Teoria da sedução generalizada, Ferenczi.

Para ter acesso ao texto completo, entre em contato com a autora pelo e-mail: marina.reigado@gmail.com
A tarefa de tradução do sexual na adolescência:
Alegorias presentes em  O apanhador no campo de centeio


A adolescência marca o encontro do instinto sexual da puberdade com as fantasias da sexualidade infantil. O corpo do adolescente é  o local desse encontro que reabre enigmas e convoca o adolescente à difícil tarefa de tradução. Apoiados na teoria tradutiva  de Laplanche, buscamos apontar, na leitura do romance O apanhador no campo de centeio, os recursos e as alegorias de tradução do sexual disponíveis. A simbolização da pulsão sexual parece ser sempre incompleta, mesmo com as tentativas de simbolização. O corpo do adolescente é o objeto-fonte de pulsão que traz incessantemente à tona enigmas, reconduzindo o adolescente ao incansável trabalho de tradução.

Palavras-chave:  adolescência; psicanálise; Teoria Tradutiva

Artigo publicado em Pesquisas e Práticas Psicossociais 5(1), 001-137, São João del-Rei, janeiro/julho 2010.

A tradução do sexual na adolescência



Alegorias presentes em O Apanhador no campo de centeio e em Crepúsculo


A clínica psicanalítica é profundamente sensível às condições históricas e sociais. Transformações nessas áreas produzem efeitos sobre os sintomas, as formas de organização e subjetividade que vemos na clínica. A clínica de adolescentes expõe de forma clara o impacto dessas mudanças. Os jovens dispõem de recursos distintos e formas de subjetividades singulares em cada época, o que requisita uma prática analítica sintonizada com  o contexto histórico em que estão inseridos. Mas, além de reconhecer os fatores históricos e sociais relativos à subjetividade, cabe á Psicanálise identificar e apontar os elementos próprios á constituição psíquica. Nesse sentido, as contribuições de Jean Laplanche são frutíferas, especialmente sua teoria tradutiva. Para este autor, o corpo do adolescente é palco do encontro entre o instinto sexual da puberdade e a pulsão. Este encontro traz à tona uma série de enigmas que convocam o adolescente para a difícil tarefa de tradução. O objetivo desta monografia é, justamente, lançar um olhar sobre a tarefa de tradução do sexual na adolescência, investigando e apontando os recursos de simbolização disponibilizados aos jovens em dois momentos históricos distintos. A fonte material utilizada foi a literatura jovem nos séculos XX e XXI, representada por dois livros, O Apanhador no campo de centeio e Crepúsculo. A investigação apontou que, apesar de os protagonistas apresentarem diferentes formas de subjetividade e se utilizarem de recursos de simbolização distintos, eles se aproximam justamente por estarem diante de um corpo que é objeto-fonte de pulsão capaz de propor enigmas incessantemente.

Palavras Chave: Adolescência; Psicanálise; Teoria tradutiva.

 Para ter acesso ao texto completo, entre em contato com a autora pelo e-mail: marina.reigado@gmail.com