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Winnicott e a adolescência


"Se você fizer tudo o que pode para promover o crescimento pessoal de seus filhos, vai ter de ser capaz de lidar com resultados incríveis. Se seus filhos acabarem se encontrando, não vão se contentar senão em se encontrar em sua totalidade, e isso vai incluir a agressão e os elementos destrutivos em si próprios, assim como os elementos que podem ser rotulados como amor. Vai ser uma longa luta que vocês terão que enfrentar. [...] É claro que meninos e meninas podem dar um jeito de atravessar essa fase, por meio de uma série de acordos com os pais, sem necessariamente manifestar rebelião em casa. No entanto, é prudente lembrar que a rebelião pertence à liberdade que vocês deram aos seus filhos, quando os criaram de modo a que eles existissem por si próprios. Poder-se-ia dizer, em alguns momentos: Você semeou um bebê e colheu uma bomba. [...] Os pais não podem fazer muita coisa; o melhor que têm a fazer é sobreviver, sobreviver intactos, sem mudar de cor, sem negar qualquer princípio importante".

In: Winnicott, D.W. 1969a, p. 124

III Colóquio Winnicott em Belo Horizonte

Para psicólogos e cuidadores de plantão, um evento interessante que acontecerá em BH no próximo final de semana. 




Partindo das contribuições de Winnicott haverão discussões muito interessantes sobre a delinquência, suas origens e tratamento. Essa é uma boa oportunidade para aqueles que se interessam pelo pensamento de Winnicott ou para aqueles curiosos em conhecer esse teórico. Este ano participarei das Comunicações apresentando o artigo O manejo na Clínica Winnicottiana: discussões a partir de um caso clínico de um adolescente.

Interessados em se inscrever cliquem aqui.
O manejo na clínica winnicottiana: discussões a partir do caso clínico de um adolescente  

O pensamento winnicottiano se destaca por sua originalidade em diversos aspectos. Um dos pontos centrais de seu pensamento diz respeito a formulação de sua teoria do amadurecimento humano e sua compreensão do adoecimento psíquico. Para Winnicott o distúrbio psíquico é resultado de uma interrupção no processo de amadurecimento, em decorrência de uma falha na provisão ambiental. Essa compreensão de Winnicott produz efeitos sobre a prática clínica especialmente no que se refere ao manejo clínico.

A prática clínica sob orientação winnicottiana tem por objetivo disponibilizar ao cliente um ambiente cuja confiabilidade possa lhe proporcionar a retomada de seu processo de amadurecimento pessoal. Winnicott compreende o ambiente na totalidade de cuidados que são oferecidos em função do processo maturacional próprio e específico de cada paciente. São esses aspectos que orientarão o manejo clínico.

Nesse sentido, não é possível, partindo das contribuições de Winnicott, formular um enunciado geral que defina um método ou uma técnica para o trabalho clínico. Não podemos falar em uma única técnica já que o manejo clínico se orienta e se organiza conforme a natureza do distúrbio que o paciente apresenta.

Ao propor um manejo atento e sintonizado às necessidades para o amadurecimento do paciente, Winnicott nos gabarita a oferecer um atendimento clínico menos comprometido com uma técnica fixa e rígida e mais flexível e adaptado às particularidades de cada cliente.

Considerando essas contribuições, este artigo apresenta, a partir do atendimento clínico de um adolescente, uma discussão sobre o manejo clínico winnicottiano. Neste relato de caso, observarmos que o apoio na teoria winnicottiana possibilitou um atendimento que fosse muito além da interpretação verbal, levando em consideração tanto as características próprias do paciente em seu momento do amadurecimento – a adolescência – como também as falhas ambientais vividas por ele em etapas anteriores.

Palavras-chave: Clínica winnicottiana, Manejo, Adolescência.

Para ter acesso ao texto completo, entre em contato com a autora pelo e-mail: marina.reigado@gmail.com

Adolescência e loucura





A adolescência pode ser uma época tormentosa. O desafio misturado com a dependência, inclusive com a dependência extrema, faz com que o quadro da adolescência nos pareça loucura e confusão”.






WINNICOTT, D. W. (1963) "Atendimento hospitalar como complemento de psicoterapia intensiva na adolescência". In: O ambiente e os processos de maturação, Porto Alegre, Artes Médicas, 1990.

O ambiente facilitador e a adolescência



O ambiente facilitador continua tendo lugar especial também na adolescência, especialmente para oferecer uma continência e moldura para as tendências que começam a se manifestar.

Os conflitos e fantasias da infância se incrementam em decorrência de conquistas da adolescência. Os conteúdos fantasmáticos da infância assumem agora a possibilidade de concretização na realidade. As fantasias infantis de ataque e assassinato no Édipo, a auto-destrutividade e suicídio, a gravidez, deixam de ser apenas fantasias e já se tornam possibilidades reais, o que incrementa a já complicada relação do adolescente com os pais e com seus impulsos agressivos (Winnicott, 1963).

O adolescente buscará no ambiente os controles externos tanto para conter esses conteúdos, como inclusive para derrubar os controles e se estabelecer independentemente dos pais, como pessoas capazes de vontade própria. (Del-Faro, 2007).

Os pais ao estabelecerem e manterem limites oferecem uma moldura, permitindo o confronto, essencial nesse momento. Para Winnicott é importante que esse confronto mantenha uma vivacidade, evitando atitudes sentimentalistas ou passivas, assim como não cabe reagir ao confronto de forma agressiva ou retaliativa.

A moldura oferecida pelos pais possibilita a conquista do autocontrole. Assim, os adolescentes podem se tornar cada vez menos dependentes do controle externo podendo confiar e recorrer a sua própria capacidade de continência e controle. (Del-Faro, 2007).

Conforme nos alerta Winnicott (1968) os pais quase não têm condições de ajudar na adolescência, no sentido de evitar os movimentos incômodos dessa fase, não é isso que lhes cabe. Ao contrário, o papel aos pais é “sobreviver, sobreviver intactos” aos ataques e rebeliões próprios e saudáveis à idade.


Autora: Marina Reigado I Psicóloga Clínica
Consultório Rua Guajajaras, 1470 - Barro Preto
Belo Horizonte I Minas Gerais

Os tipos de psicoterapia por Winnicott



Existem, no entanto, muitas variedades de psicoterapia, que deveriam depender não dos pontos de vista do terapeuta, mas das necessidades do paciente ou do caso. Quando possível, aconselhamos psicanálise. Quando não for possível, ou houver argumentos contra, então pode-se criar uma modificação adequada”.

In: Winnicott, D. W. (1986) Tipos de Psicoterapia. Tudo começa em casa.  (p.93)

A imaturidade na adolescência




"A imaturidade é uma parte preciosa da adolescência. Contêm os traços estimulantes do pensamento criativo, sentimentos novos e desconhecidos, idéias para um modo de vida diferente


In: Winnicott, D.W. (1968). A imaturidade do adolescente. In: Tudo começa em casa. Tradução Paulo Sandler. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

A mãe suficientemente boa

Para Winnicott, a mãe suficientemente boa não é a mãe perfeita ou a mãe que não erra jamais. Ao contrário, está em cena uma mãe falha, que erra e que permite que seu bebê se frustre com a realidade que nada tem de perfeita. 


O bebê humano é dependente do ambiente, necessita da atenção e da provisão de um cuidador, normalmente representado pela mãe. Para que a mãe compreenda as necessidades de seu bebê é importante que ela esteja profundamente identificada com ele. Winnicott recorre aí ao seu conceito de “Preocupação Materna Primária”. 

Esse fenômeno, que acomete as mães nos últimos momentos da gestação e as acompanha nos primeiros meses do nascimento, diz da  profunda identificação com o bebê que permite que a mãe reconheça suas necessidades iniciais. É comum vermos nesse momento mães que dão sentido aos choros, aos sons do bebê, atribuindo significado e sentido á essas primeiras expressões.

Apesar da importância da mãe nessas primeiras cenas, Winnicott destaca a importância de uma “cobertura externa protetora” e aponta aí para a participação fundamental do pai e da sociedade  - elementos essenciais para que a mãe seja capaz de se desligar momentaneamente de outros aspectos de sua vida, identificando-se com seu bebê. 

Nesse período inicial bebê e mãe formam uma unidade que vai gradualmente sendo superada. A mãe vai pouco a pouco se desidentifcando com seu bebê e voltando-se para seus outros interesses e para outros aspectos de sua vida. Essa desadaptação é gradual e vai de encontro tanto com as condições específicas da mãe – agora não mais totalmente identificada com seu bebê, ressurgindo seus antigos interesses e atividades – como também com a conquista de uma maturidade por parte do bebê, que não precisa mais dos mesmos cuidados da dependência absoluta. Dá se início aí, ao estágio da dependência relativa.


Autora: Marina Reigado I Psicóloga Clínica
Consultório Rua Guajajaras, 1470 - Barro Preto
Belo Horizonte I Minas Gerais

Sobre o homem...



"Deixem o homem imperturbado, desde o berço. Não o expulsem do bulbo estreitamente unido do seu ser, não o expulsem da casa protetora de sua infância. Não façam de menos, para que ele não sinta vossa falta e, assim, vos separe de si mesmo; não façam demais, para que ele não sinta a vossa violência ou a sua própria e, assim, vos separe de si mesmo. Em suma, deixem o homem saber só tardiamente que há seres humanos, que há alguma coisa, fora dele, pois só assim ele se tornará homem. O homem é um deus assim que se torna homem. E, sendo deus, ele é bonito." 

(Winnicott, Hölderlin)